Pages

Lomadee, uma nova espécie na web. A maior plataforma de afiliados da América Latina.

Gente pequena na casa da vó



Posted by Picasa





30.11.10


Uma grande reportagem escrita no Facebook

James (de camisa branca) e Joe (de camisa preta) conversam 
com dois dos migrantes que acompanham


A imprensa já descobriu as redes sociais como ferramentas de trabalho há algum tempo: tanto o Twitter quanto o Facebook têm se provado excelentes pontos de interação com leitores e busca de fontes para o cotidiano. Mas Joe Leahy e James Fontanella-Khan, do “Financial Times”, deram um passo adiante, e estão usando o Facebook para desenvolver uma reportagem que será publicada em dezembro. Os dois trabalham na sucursal de Mumbai do jornal inglês, e têm postado regularmente as várias etapas da apuração sobre a vida de trabalhadores que saem de pequenas aldeias para tentar a sorte na cidade grande.

 Joe e James vêm acompanhando, há cerca de um mês, o dia a dia de um grupo de imigrantes; alguns desistiram de Mumbai em pouco tempo, e voltaram para casa. A matéria, com seus avanços e contratempos, vem sendo trabalhada como qualquer matéria do gênero – exceto pelo fato de os leitores fazerem parte do seu desenvolvimento. Esta é a primeira vez que um grande jornal usa um espaço público como o Facebook na construção de uma reportagem; esta é também a primeira vez em que os repórteres se vêem diante de críticas e palpites de leitores antes mesmo do seu trabalho ser oficialmente publicado pelo jornal. Conversei por email com James, que acumula a função de diretor da sucursal, para saber como vai a experiência.

O GLOBO - Como surgiu a idéia de usar o Facebook?
JAMES FONTANELLA-KHAN - Joe Leahy tinha acabado de escrever uma matéria sobre o numero crescente de empresas que vem usando sistemas como Facebook para comunicação interna, e descobriu que a razão disso é que um número cada vez maior de funcionários acha mais simples usar as redes sociais do que participar de reuniões movidas a slides de Power-point. Conversando sobre o assunto  achamos que seria interessante tentar fazer algo parecido com o nosso projeto “Mumbai: vivendo o sonho”, que, em princípio, seria apenas uma matéria convencional. Decidimos que a idéia era boa, e logo partimos para o estágio seguinte, abrindo uma página no Facebook para compartilhar os nossos pontos de vista e o processo de criação da matéria (http://on.fb.me/bombaim). A idéia era criar uma comunidade em torno do que estávamos fazendo e, ao mesmo tempo, atingir pessoas que não são necessariamente leitoras do “Financial Times”. Poderíamos igualmente ter usado um blog, mas o Facebook tem funções mais amigáveis, além de facilitar a formação de comunidades.

O GLOBO - Como tem sido a experiência de trabalhar no Facebook o que vai ser, afinal, uma reportagem tradicional? A participação dos leitores ajuda?
JAMES FONTANELLA-KHAN - Como mecanismo para compartilhar notas e trabalhar em grupo o Facebook é excelente, e facilitou muito a minha vida e a do Joe. Mas o mais importante mesmo tem sido a participação coletiva. Alguns “amigos” fizeram críticas muito construtivas e levantaram questões éticas da maior seriedade. Um dos leitores, por exemplo, perguntou qual era a diferença entre o que nós estávamos fazendo e a versão indiana do Big Brother. Outro questionou a forma como estávamos conduzindo a apuração.  Ser transparente implica correr riscos, mas os benefícios são maiores. Os comentários nos ajudaram a manter o foco e a sermos abertos, ao mesmo tempo em que nos fizeram pensar em profundidade sobre o que estávamos fazendo, e como estávamos fazendo. A nossa responsabilidade para com os leitores aumentou. Em suma: sugiro a outros jornalistas tentarem a mesma experiência.

O GLOBO - Você acha que o futuro do jornalismo passa necessariamente pelas redes sociais, ou vê isso como uma experiência isolada?
JAMES FONTANELLA-KHAN - Acho que a nossa experiência não deve ser um fenômeno isolado. A chamada grande imprensa deve interagir cada vez mais com as redes sociais, que criaram um novo espaço de comunicação e interação. Elas vieram para ficar, e o jornalismo deve aprender a conviver com elas. Sob este aspecto, aliás, estou cada vez mais convencido de que as redes sociais representam uma nova oportunidade para o jornalismo, especialmente nesses tempos em que a leitura de jornais vem diminuindo (a Índia sendo uma notável exceção). No “Financial Times” nós adotamos cedo todas as formas de novas mídias, e hoje a nossa operação é plenamente integrada. Isso significa que não há mais diferenças entre o impresso e o online. O FT participa ativamente do Facebook, do Twitter e do YouTube, mas até aqui usávamos essas ferramentas apenas para postar o nosso trabalho. Com “Mumbai: vivendo o sonho” galgamos um novo patamar. Quisemos contar a história primeiro no Facebook para construir uma comunidade com os nossos leitores, e torcemos para que este venha a ser um modelo adotado por outros repórteres, em eventuais projetos especiais.

O GLOBO - Trabalhar no ambiente de uma rede como o Facebook criou alguma dificuldade inesperada, ou tudo está indo conforme planejado – na medida em que se podem planejar projetos assim?
JAMES FONTANELLA-KHAN - As coisas estão indo bem. Para ser sincero, temos enfrentado os mesmos problemas que enfrentaríamos num projeto convencional. Os acontecimentos não estão vinculados à mídia na qual trabalhamos. No fundo, escrever no Facebook está até nos ajudando a desenvolver a matéria de forma mais estruturada, em vez de ter que espremer tudo no espaço de uma semana.

O GLOBO - Por quanto tempo você acha que vão conseguir manter o ritmo? Já tem alguma idéia de quanto tempo vão levar até terminar a reportagem?
JAMES FONTANELLA-KHAN - A matéria tem que sair antes do fim do ano. De qualquer forma, nossos planos, por enquanto, são de manter a página no ar. Gostaríamos que, eventualmente, ela se tornasse um ponto de convergência para a discussão da questão da migração.

O GLOBO - Qual é a freqüência com que vocês entram em contato com os imigrantes que estão acompanhando?
JAMES FONTANELLA-KHAN - Entramos em contato praticamente todo dia, embora nem sempre a gente escreva sobre isso. Nós ficamos sabendo como eles vão e que progressos têm feito. Não queremos transformar a matéria num projeto de pesquisa tipo Big Brother.

O GLOBO - Vocês vão procurar outros imigrantes para substituir os que já desistiram de Mumbai e voltaram para as suas aldeias?
JAMES FONTANELLA-KHAN - Estamos pensando em acompanhar mais algumas pessoas, mas não vamos mais viajar até as aldeias e seguir os imigrantes desde a partida, como fizemos no começo. Parte da matéria é, justamente, o fato de que alguns não agüentaram a barra e foram embora. Isso mostra as dimensões das dificuldades que eles e tantos outros como eles têm que enfrentar.


(O Globo, Economia, 26.11.2010)







27.11.10


iPad: paixão e aplicativos

















O ataque de bom-senso que me impediu de comprar o Kindle assim que saiu também me manteve longe do iPad por uns tempos: ando perturbada com a quantidade de gadgets inúteis que povoam os meus armários e gavetas, e culpada com a quantidade de lixo digital que, à custa de sucessivos upgrades, ajudo a gerar.

Por outro lado, nem tudo na vida é bom-senso, e há um momento em que a curiosidade manda o juízo às favas. Depois de ver tantos amigos tão perdidamente apaixonados pelos seus tablets, não consegui mais ficar de fora da brincadeira, e comprei um iPad.

Primeiro ponto: eu preciso de um iPad? Honesta e sinceramente não, e acho que isso se aplica à maioria dos consumidores. Tudo o que se faz com um iPad se pode fazer, com maior ou menor facilidade, no computador ou no celular. Segundo ponto: tendo um iPad, eu abriria mão dele? De jeito nenhum – e, novamente, acho que esse é o caso de quase todos que o possuem. O iPad, um dos melhores brinquedos que já tive, é a inutilidade mais divertida e indispensável dos últimos tempos, ainda mais para quem gosta de mídias sociais.

A alma do iPad, como a iphone, está nos aplicativos – e, para o Twitter, há uma quantidade. Gosto especialmente de dois : o do próprio Twitter, que é grátis, e o TwitBird (mais parecido com a versão antiga e mais simples do Twitter), que pode ser grátis ou pago. Estou usando o grátis e estou contente. O Echofon, meu favorito do iPhone, só existe em versão paga (US$ 5); não compensa. Para o Facebook, a melhor pedida é o Friendly, que merece o dólar da versão Pro, embora exista em versão lite, com anúncios.

Ver filmes e seriados no Ipad pode virar vício, mas confesso que ainda não encontrei o player ideal. O bom e velho VLC, que lê até pedra (como diz o Marcelo Temporal), volta e meia se recusa a reconhecer as legendas, mesmo problema do OPlayerHD. Como é sabido, tanto arquivos .avi (dos filmes) quanto .srt (das legendas) devem ter o mesmíssimo nome, mas nem isso tem funcionado, embora os conjuntos se apresentem sem problemas no computador. O companheiro ideal para tantas séries e filmes é, tradicionalmente, o IMDB – que desenvolveu um aplicativozinho correto.

Outro vício? O Zinio, banca virtual (grátis) em que se encontram revistas (pagas) do mundo todo. Fiz uma assinatura da National Geographic e agora me confronto com um típico dilema contemporâneo. Nunca joguei fora uma National Geographic de papel, mas como vou proceder com as suas irmãs virtuais? Deixa-se tudo no HD, ou deleta-se sem dó nem piedade? Já o Newspapers põe ao alcance do usuário todos os jornais de conteúdo aberto do mundo – mas, em compensação, custa US$ 3. Vale!

O aplicativo mais interessante que encontrei, disparado, chama-se Flipboard, e é gratuito. Essencialmente, é um agregador de páginas, notícias e mídias sociais, ao qual se podem juntar blogs, jornais, contas do Twitter e do Facebook. Cada item é caprichosamente diagramado como se fosse uma revista.  Podem-se gastar horas sem fim só virando as suas páginas.

Até agora, o meu maior investimento em software foi o Documents to Go, que custa US$ 17 e permite ler, criar e editar documentos do Microsoft Office. O iPad não é uma máquina de trabalho, mas é bom ter a possibilidade de usá-lo a sério.

Outra mão na roda é o Evernote, tão útil e tão bom que não dá para entender porque ainda é gratuito: nele se podem tomar notas, juntar fotos como memos visuais, fazer gravações. O material é sincronizado com a página do programa na web, de modo que, de qualquer aparelho que seja, e onde quer que esteja, o usuário tem acesso às suas anotações.

Para quem não se incomoda em ler livros na tela, a Amazon disponibiliza, de graça, o software do Kindle; mas o iPad está longe de ser o leitor ideal, e nesse quesito perde para os livros tradicionais e para o próprio Kindle, mais suave nos olhos.

A menos, claro, que o livro seja algo como a gloriosa edição de Alice para o iPad, a amostra mais eloqüente de um lindo caminho a ser trilhado. 

(O Globo, Economia, 27.11.2010)





26.11.10


Gato delivery






Enquanto isso, para tempos de violência...






25.11.10


Minha bronca com a evolução



Há alguns milhares de anos, quando o homem e a mulher – estes, que nós somos – apareceram na face do planeta, a comida era um combustível necessário, mas desprovido de graça e, sobretudo, difícil de obter. Catar vegetais era relativamente fácil, desde que existissem vegetais comestíveis na área; e suponho que o fato de terem sido vistos primeiro por pássaros e por pragas variadas não era problema. Até outro dia, mas outro dia mesmo, encontrar bicho na goiaba era o que havia de comum, e não causava nojo em ninguém, exceto quando, sem querer, mordia-se o bicho.

Carne, para aqueles bípedes ancestrais, era caso mais complicado. Imagino que, antes da invenção da caça, nossos primeiros antepassados serviam-se, como as hienas, das sobras da caça alheia, muitas vezes bem além do prazo de validade. O que havia era comido cru, porque carne não nasce assada e até alguém associar o fogo ao filé passaram-se muitos e muitos e muitos anos.

As pessoas de uma mesma tribo dividiam a comida e jantavam juntas, como fazem em geral os animais gregários. Não é difícil imaginar um clima de festa, porque comida não era coisa que sobrasse; além disso, clima de festa em torno de comida é o que mais se vê nos filmes de vida selvagem da Nat Geo. Prazer em comer, porém, exceto pelo ato básico -- e vital -- de matar a fome, devia ser inexistente. Garfinhos do Rio Show, nem pensar.

Pois este animal que se alimentava tão mal (e, dependendo da localização geográfica, com tão pouca freqüência), era o projeto original da fábrica: um corpo acostumado a se mover o tempo todo em busca de alimento, mas, paradoxalmente, movido a um mínimo de energia.

* * *

Um dia, alguém deixou cair um pedaço de carne no fogo, ou um incêndio florestal deixou umas carcaças tostadas; e o homem viu que o churrasco era bom. Em outros cantos, ou talvez nos mesmos, outros bípedes comiam moluscos ou peixes e descobriam o sabor do sal, que ganhou tal importância com o passar dos milênios que está na origem da palavra salário.

(Reza a lenda que os antigos soldados romanos recebiam seu pagamento em sal; não é verdade. Como o sal era uma das principais despesas de então, salarium era simplesmente o dinheiro com o qual, entre outras coisas, os soldados compravam sal. Mal comparando, é como chamar de “ganha-pão” ao emprego que nos sustenta.)

* * *

Pois bem. Descobertos o fogo e o sal, estava dado um passo gigantesco na modificação das especificações com que a humanidade saiu da forma. O sal não é apenas um dos primeiros temperos conhecidos, é também um dos primeiros conservantes, e a possibilidade de salgar a carne e os peixes garantia um estoque maior e mais constante de comida. Mais para a frente, alguém descobriu que as sementes germinavam e que era possível reproduzir certos vegetais, inventando a agricultura, uma nova fonte de alimento e, de quebra, todo um estilo de vida. Logo os primeiros quadrúpedes eram domesticados, e lá ficava a carne, ruminando pelos pastos. Daí para o  bœuf bourguignon foi um passo.

* * *

E por que estou falando disso? Porque, tendo nos dado o engenho e a arte de inventar algo tão sofisticado quanto a culinária, a natureza nos manteve com o mesmo organismo daqueles bípedes que caçavam javali a tapa. Ora, é lógico que essa combinação não podia dar certo! Por um lado, inventamos os meios de transporte e temos os temperos e as receitas que tornam o nosso combustível uma irresistível fonte de prazer; por outro, conservamos um corpo que continua a pedir movimento contínuo, e que não consegue (ainda!) processar o excesso de calorias. Está tudo errado.

* * *

Quem já fez dieta e emagreceu sabe que, saindo um tiquinho que seja da linha, os quilos voltam a uma velocidade alarmante. A mim explicaram que isso é porque o organismo está condicionado, desde a Era Glacial, a se precaver contra futuras faltas de alimento (que é o que ocorre durante a dieta). Mas, caramba, a Era Glacial foi há 20 mil anos! Será que ao longo de todo esse tempo a natureza não podia ter percebido que uma certa espécie deu de evoluir de forma esquisita?

Sim, vocês adivinharam: continuo de regime, continuo sofrendo as conseqüências desastrosas das lembranças da Era Glacial guardadas pelo meu organismo e cada vez fico mais convencida de que, se a evolução fosse mesmo algo evoluído,  a Kate Moss seria regra, e não exceção.

* * *

Há uma nova capivara na Lagoa!

Há cerca de dois meses, um leitor escreveu contando que a viu de manhã cedinho, ali para os lados do Caiçaras. Fui lá algumas vezes ao cair da tarde, horário muito apreciado pelas capivaras, procurei bem e nada. Sei que elas se escondem muito bem mas, apesar disso, cheguei a achar que o leitor tinha visto algum outro bicho qualquer, quem sabe um cachorro grande. Há duas semanas, outro leitor mandou um email semelhante: capivara avistada perto do Vasco.   

Na semana passada, enfim, ela apareceu no Cantagalo, perto do Palaphita, e foi vista por várias pessoas. É grande e bonita, muito arisca, e está com um pequeno ferimento nas costas, nada de muito sério. Como acontece com as capivaras que vêm para a Lagoa, ninguém tem idéia de onde possa ter surgido.

Que seja bem-vinda.


(O Globo, Segundo Caderno, 25.11.2010)





24.11.10


Pipoca dormindo ao sol






23.11.10


Pipoca, dormindo ao sol






21.11.10


Lolinha e Matilda



Posted by Picasa





20.11.10


A rede e os seus perigos

“Um dia, todos os jovens vão poder mudar de nome automaticamente ao chegar à idade adulta, para fugir das besteiras juvenis armazenadas nas páginas de redes sociais dos amigos.” Já se disse muita bobagem sobre os perigos da internet, mas a frase de Eric Schmidt, CEO do Google, tornou-se um clássico instantâneo – e foi lembrada, mais uma vez, durante o seminário “Crianças e internet: desafios e oportunidades na sociedade da informação”, realizado na última terça-feira, em Brasília, pelo Itamaraty, pela Unesco e pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict). A internet é perigosa, mas nem tanto, e – além de discutir políticas governamentais e sociais – o seminário deixou claro que nada é tão importante para garantir a segurança das crianças quanto a atenção dos pais. Em suma: até nisso a internet é um reflexo do mundo cá fora.

A educação dos pais a respeito da rede e a educação dos filhos através dos pais são as molas mestras para um ambiente mais seguro. Carlos Gregorio, do Instituto de Investigacion para La Justicia, da Argentina, fez uma ótima analogia trazendo para a mesa de debates uma simples sacola de plástico, daquelas que se usam nos hotéis para a roupa suja. Nos anos 60, quando os sacos plásticos substituíram os de papel, inúmeras crianças morreram por colocá-los na cabeça e se asfixiarem. É por isso que, até hoje, tantos sacos plásticos ainda trazem a advertência de que não são brinquedos, embora a cultura popular já tenha assimilado completamente a lição. Não existem mais estatísticas a respeito de crianças acidentalmente sufocadas por sacos plásticos: eis o poder da educação. Ainda assim, muitos deles, como os das lavanderias de hotel e os de embalagem de eletrodomésticos, trazem pequenos furos – para permitir a passagem do ar. Moral da história? Educação é realmente essencial, mas também é importante que a indústria faça a sua parte. Não precisa ser nada radical, mas pequenas mudanças ajudam, aos poucos, a aperfeiçoar o processo.

Exemplo? A ferramenta Safe Search, da Google, representada por seu diretor de políticas públicas para a América Latina, John Burchett. O Safe Search é um filtro que bloqueia páginas que contenham conteúdo sexual explícito, e que os pais podem escolher na opção “Preferências” do Google. Quando se usa o Chrome, browser da casa, o Safe Search pode ser trancado por senha, de modo a não poder ser desativado por outros usuários da mesma máquina. Com um detalhe bem pensado: quando ele está ativo, há bolas coloridas no alto da página, de modo que, mesmo olhando de longe, os pais podem ver se os filhos estão fazendo uma pesquisa segura.

Como todos os mecanismos de proteção existentes – e o próprio conceito geral de proteção às crianças na rede – este resolve parte das ameaças de uma exposição a temas de cunho sexual; mas há outros perigos dos quais nem nos damos conta. Fiquei muito impressionada com a palestra de Isabella Henriques, do Instituto Alana, sobre a overdose de mensagens comerciais oferecida à criançada online. Quase todo alimento infantil tem um site com jogos, brincadeiras, atrações. Resultado: as crianças, que não sabem diferenciar propaganda de conteúdo, ficam expostas durante horas a aparentemente inocentes anúncios de sucrilhos, refrigerantes, bebidas achocolatadas, biscoitos, salgadinhos – tudo porcaria. Depois a gente estranha a epidemia de obesidade infantil...

O consumismo desenfreado também foi apontado por Marilia Maciel, do Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas: novamente, a questão é a quantidade de publicidade dirigida a crianças e jovens na internet, e a atração que a criançada sente pelos anúncios. Mas ela atribui uma parcela da culpa às gerações anteriores, que não souberam (ou não puderam) preservar os espaços tradicionalmente reservados à garotada, como as ruas e praças, que deixaram de ser áreas seguras. A idéia de lazer da família contemporânea é ir passear no shopping, templo máximo do consumismo. A “mensagem” desse tipo de programa é clara: diversão é consumo.

Será que é isso mesmo que a gente quer que as crianças aprendam?


(O Globo, Economia, 20.11.2010)  





18.11.10


A traição de House




















A sétima temporada de House começou há algumas semanas, mas só agora assisti à sexta, que finalmente saiu em DVD. A série é das poucas que conseguiu me fisgar por mais de uma temporada, mas tenho sérias dúvidas se isso teria acontecido se essa sexta temporada tivesse sido exibida no primeiro ano. A diferença do “velho” House para o “novo” é tão deprimente que a impressão que se tem é que mudaram a equipe de produção inteira. (Conferi: tirando certa rotação de diretores e de roteiristas, que sempre existiu, tudo está, em tese, como sempre esteve.)

Nas primeiras temporadas, os casos médicos eram tão bons que eu saía direto para o Google, para descobrir mais sobre alguma daquelas horrendas moléstias que, sabe-se lá, podia estar escondida numa inocente embalagem na cozinha. Havia suspense nas histórias dos pacientes, e os procedimentos da equipe, embora incompreensíveis para a minha falta de conhecimento especializado, faziam sentido. Muitos faziam sentido até para os profissionais da área – esbarrei em bons fóruns americanos onde médicos discutiam acaloradamente os casos apresentados. Por outro lado, sabia-se pouco da vida pessoal de House e da equipe – apenas o suficiente para mantê-los interessantes e um tanto misteriosos.

Agora tudo mudou. Os casos médicos perderam o suspense, o capricho visual – com aquelas câmeras entrando corpo adentro – e, sobretudo, qualquer aparência de lógica. As discussões entre House e a equipe viraram um vale-tudo, em que nomes complicadíssimos são jogados de lá para cá, sem que se possa sequer imaginar do que aquela gente está falando – até porque os tratamentos são totalmente randômicos. Os pacientes recebem toda a espécie de remédio, são cortados, operados e transplantados a três por quatro -- até que a solução para os seus casos caia do céu, sem qualquer ligação aparente com as discussões da equipe ou os cuidados administrados. Virou CTI de hospital público. Quem precisa de gênio da medicina?

E, por falar nele, o próprio House está diferente. No primeiro (e, por acaso, excelente) episódio da temporada, em que estava internado para se tratar da dependência do Vicodin, ele ainda foi o velho House de sempre, lutando contra o sistema e tentando agir à sua maneira. Foi ótima dramaturgia jogá-lo num hospital onde não podia fazer nada além de obedecer, como qualquer paciente, e melhor dramaturgia ainda confrontá-lo com alguém que não só não cedia aos seus caprichos como podia mais do que ele (o psiquiatra Dr. Nolan, interpretado por Andre Braugher).

Infelizmente House teve alta no fim do episódio e a ação voltou para o hospital de costume – e aí só restou ao público perceber que o maluco genial se transformou num caso insuportável de adolescência retardada, exceção feita ao último episódio, ridículo, em que virou um sujeito bonzinho e piegas, totalmente contrário ao que conhecemos. Que decepção! O House dependente químico era muito melhor do que o House movido a analgésicos; resta saber o que os roteiristas estão tomando, ou deixaram de tomar.

Enquanto isso, a série de mistérios médicos foi dando lugar a um clima de novelão, focado nos problemas pessoais da equipe. Péssima idéia: mal comparando, é como se, a certa altura, Conan Doyle jogasse para o alto os casos policiais e passasse a se dedicar apenas à vida sentimental de Sherlock Holmes e do Dr. Watson, os inspiradores de House e Wilson.

Hugh Laurie continua maravilhoso, e não há mancada de roteiro que consiga apagar o seu brilho. Mas a vida particular de Chase (Jesse Spencer) e de Cameron (Jennifer Morrison) não tem a menor graça, a relação de Foreman (Omar Epps) e de Thirteen (Olivia Wilde) é o que há de forçado, Taub (Peter Jacobson) e a mulher são uns chatos entre quatro paredes e as intimidades de Cuddy (Lisa Edelstein) e de Lucas (Michael Weston) são mais informação do que a gente precisa. Quem quer ver casais em conflito já tem uma quantidade de melodramas para assistir, e não precisa de House.

Ora muito bem: se tudo está esta pasmaceira, para que acompanhar a temporada inteira? Fiquei me perguntando isso ao longo de vários episódios, e não encontrei resposta certa. Pode ser por familiaridade, porque é difícil abandonar velhos hábitos; ou pode ser porque, mesmo capenga (sem trocadilho; ou com), House ainda continua sendo uma das melhores séries em cartaz.

* * *

Enquanto isso, há algumas semanas, rola a sétima temporada na Universal. Assisti ao primeiro episódio; gostei e não gostei. Gostei que House e Cuddy foram, até que enfim!, aos finalmentes; mas não gostei nada do House carente e apaixonado que acha que a relação não vai dar certo porque, mais cedo ou mais tarde, Cuddy vai se lembrar de tudo o que ele aprontou com ela e vai terminar o caso. Este não é o House, caramba, é um estranho que se meteu no roteiro! Algum fã das antigas consegue imaginar House sequer discutindo a relação?!

* * *

Leitores que conhecem as coisas pelos nomes certos me chamaram às falas por causa da crônica da semana passada. Lendo o email do Victor Koifman vocês vão entender por que:

“Bueiro é por onde drena (se escoa) a água pluvial. Chamar de "tampas de bueiro" as tampas das diversas "visitas" dos sistemas públicos de infra-estrutura urbana (água, esgotos sanitários, drenagem pluvial, telefone, gás e eletricidade) é mais ou menos como chegar numa loja de Informática e pedir "uma televisão do computador" ao invés de um monitor.”

Touchée.


(O Globo, Segundo Caderno, 18.11.2010)




16.11.10


Hmmmmm... não gostei disso!






No Itamaraty






A caminho do aeroporto






Estamos saindo no horário, que milagre!






Praia em construção






15.11.10


Um teste pro Tiririca

De aorcdo com uma peqsiusa de uma uinrvesriddae ignlsea, não ipomtra em qaul odrem as lteras de uma plravaa etãso, a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e útmlia Lteras etejasm no lgaur crteo. O rseto pdoe ser uma bçguana ttaol, que vcoê anida pdoe ler sem pobrlmea. Itso é poqrue nós não lmeos cdaa Ltera isladoa, mas a plravaa cmoo um tdoo.




Todos os sotaques


Site muito interessante, com milhares de sotaques do mundo todo, em ingles: AQUI.




14.11.10


E aqui, o gato Maru...






Tecnologia é isso aí!






13.11.10


Kindle: contato imediato




















A casa de qualquer amante de gadgets que tenha um mínimo de recursos para dar asas à sua paixão acaba, com o tempo, se transformando numa espécie de cemitério de antigas tecnologias. A minha casa não é exceção. Há velhos PDAs e celulares de diversos tipos e idades pelas gavetas, dispositivos de armazenagem de vários tamanhos e capacidades pelos armários e um baú inteiro de placas, conversores e cabos paralelos e seriais que não tenho coragem de jogar fora porque, afinal, nunca se sabe quando podem tornar a ser úteis.

Há também, num cantinho esquecido do escritório, um objeto meio retangular, do tamanho de um livro, com quatro centímetros de largura e um lado arredondado, que atende pelo nome de Rocket eBook. Foi lançado em 1999 e chegou a ser muito popular no seu tempo como leitor de livros eletrônicos. Era um prodígio, podia armazenar bem uns dez romances, e eu fiquei empolgada com essa possibilidade – mas, na vida real, não consegui sequer chegar à metade de um dos livros que armazenei nele. A tela ruim me cansou, e o peso de quase 700 gramas também não ajudou a consolidar nossa relação. Não tive coragem de jogá-lo fora, achando que um dia, quem sabe, ele me poderia ser útil numa viagem. Os anos foram passando, continuei viajando com dois ou três livros na mala e o Rocket eBook continuou encostado.

O seu fantasma, porém, me assombrou por muito tempo. Tanto que, quando a Amazon lançou o Kindle, não tive coragem de ir atrás. “Vai ser mais um gadget morto numa gaveta”, pensei com os meus pendrives. E assim é que fiquei olhando o movimento dos ebooks de longe, às vezes com um pouco de cobiça, mas de modo geral muito tranqüila na minha relação com os velhos livros de papel.

Há um mês, porém, uma amiga que não se entendeu com o Kindle me emprestou o brinquedo. É um Kindle da segunda geração, portanto já ultrapassado pelo espertíssimo Kindle da última geração, que não só é mais leve e tem tela com melhor contraste, como vem, de fábrica, com 3G gratuito no mundo todo, inclusive Brasil – uma perdição para quem acredita em gratificação instantânea.

Esta foi, aliás, a primeira sensação que experimentei com ele. Alguém me recomendou um livro, e em vez de encomendar o exemplar em papel, como teria feito normalmente, baixei a versão eletrônica. Ao contrário do que eu esperava, o preço foi um dólar mais caro do que o da edição tradicional (que estava com desconto), mas o que economizei no transporte foi ótimo e, maravilha das maravilhas, em alguns minutos eu já estava mergulhada na leitura.

Porém... sim, a minha experiência com o Kindle tem um porém, um grande porém – ele não é um livro, séria falha para quem, como eu, tanto ama o objeto em papel. Kindle e livros não se comparam sensorialmente. Quem pega um livro em papel sabe, imediatamente, quanta leitura tem pela frente. Embora o Kindle mostre numa barrinha a percentagem de páginas lidas, não é a mesma coisa. O Kindle perde também num quesito básico para o leitor contumaz: a folheada que se dá antes da leitura, em que se pescam frases aqui e ali, numa espécie de trailer do livro.

Se eu tivesse comprado um Kindle, ele não seria mais um gadget no cemitério; eu o usaria para ler artigos encontrados na internet (nisso ele é excelente) e, eventualmente para baixar livros que não tivesse paciência para esperar pelo correio. Talvez também o levasse em viagens, em vez dos volumes que habitualmente carrego. De qualquer forma, depois de um mês de convivência, já sei que, para mim, ele é apenas o complemento da biblioteca, uma forma a mais de buscar livros -- mas não a fonte primária de toda a leitura. 


(O Globo, Economia, 13.11.2010)
  


0 comentários:

Postar um comentário