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Lomadee, uma nova espécie na web. A maior plataforma de afiliados da América Latina.

Notas de viagem

Perdoem a falta de posts e mesmo de fotos, mas nao tive um segundo livre ate agora para comprar um simcard; isso significa que todas as fotos estao subindo por roaming, o que sai carissimo (e nem sempre funciona). Wi-fi existe mas na feira eh tao lento que eh como se nao existisse; no hotel esta bom, mas la ainda nao parei muito.

Esta um frio louco, a feira esta interessante e a Apple domina o mercado: basta ver a quantidade de coisinhas inventadas para iPhone, iPod e iPad.

Vou la, ainda tenho muito chao pra correr. A mensagem vai sem acento porque estou num PC da sala de imprensa...




Este carrega e faz backup do iPhone






Os heróis da feira






Uma parede de leds






Olha só o que me aparece na feira!






6.1.11


Eu acho lindo esse vôo






Igualzinho ao Galeão...






Las Vegas, aeroporto






O avião está LOTADO!






A segurança ainda não abriu






Pipoca, a siamesinha discreta (e outras notícias da Famiglia Gatto)

Vocês já leram parte da coluna de hoje: com ligeiras modificações, é o texto que escrevi sobre a Pipoquinha. O trecho inédito está abaixo do bloco de estrelinhas duplo. A foto publicada no jornal foi o retrato dela que usei aqui; para ilustrar a crônica do blog, fiz uma seleção de fotos dos dois pivetinhos, assim que vieram para cá.




Descobrimos que havia algo errado com a Pipoca em setembro: ela estava com uma espécie de verruga na gengiva. Era câncer. Chegou a ser operada duas vezes, mas a doença ganhou a batalha no dia 29; minha gatinha estava com quase 17 anos.

* * *

Pipoca nasceu na favela. Seus irmãos foram maltratados e mortos e a Antônia, que até hoje trabalha com a Laura, trouxe-a para cá para que eu lhe arrumasse dono. Apesar de pequenina, Pipoca tinha, porém, outras idéias, e achou que a casa lhe convinha perfeitamente.

O nome foi escolhido por óbvio. Como todo filhote em geral, pulava sem parar; e como todo filhote de siamês, era quase branca, com pontinhas marrons aqui e ali, tal qual uma pipoca.

* * *

Ao contrário das pessoas, todo bicho é boa gente; mas Pipoca (que também atendia por Pips ou por Poca) era excepcional, absolutamente do bem, uma das criaturas mais amáveis e discretas que já conheci. Dava-se com todos, bípedes ou quadrúpedes -- mas, depois de adulta, gostava sobretudo de ficar na dela, observando o mundo pela janela, sempre séria e imersa em pensamentos. 

Nos dias frios, quando os gatos se deitam todos juntos para ficarem quentinhos, grudava no Lucas, o outro siamês da casa: acho que, com toda a diferença de tamanho -- ele é o maior gato da casa, ela era a menor -- reconheciam a semelhança que existia entre eles. E, nos dias em que a Pipoca já estava no fim, o Lucas a tratou com particular carinho, deitando-se com frequência ao seu lado e ajudando-a a se limpar, coisa que para ela era cada vez mais difíicil.

* * *

Além do Lucas, Pipoca adorava Mamãe, seu bípede predileto. Assim que lhe ouvia a voz, saía de onde estivesse, esperava que se sentasse e pulava no seu colo. Com um detalhe: Pipoca quase nunca sentava ou deitava no colo das pessoas, como fazem os demais gatos coleiros: ficava em pé, o que não era propriamente confortável para ninguém -- mas ela tinha o seu jeito de fazer as coisas, e pronto. 

* * *

Pips era um gato com truque, e tinha orgulho disso. Não sei como aconteceu, mas um dia descobri que, se a gente dissesse "Pipoca, cai", ela caía. Em recompensa pelo show, ganhava uma dose extra de carinho. "Cair", portanto, virou sinônimo para "carinho" -- e funcionava em mão dupla. Às vezes eu nem precisava dizer nada para que ela "caísse" na minha frente (mais ou menos como o Tiziu faz, quando percebe que trocamos de roupa para sair; acho que aprendeu com ela).

* * *

Durante todos esses anos, a primeira coisa que eu via, ao acordar, era a carinha dela, vesga, vesga, colada no meu focinho. Não sei como adivinhava que eu ia abrir os olhos; mas o fato é que lá estava assim que os abria, sempre, conferindo, com a seriedade que lhe era peculiar, se eu estava mesmo acordando nos conformes. Às vezes eu sentia uns bigodes me roçando o nariz e sabia, por isso, que já tinha acordado, embora ainda me achasse dormindo.

Tem sido difícil acordar sem certeza desde que ela foi embora.

* * * * * *


Era minha intenção, já há algum tempo, dar notícias da Famiglia Gatto; só não esperava que fossem tão tristes. Ao longo do ano, recebi emails perguntando da turma, em geral, e do Tiziu e da Matilda, em particular. Para os que não se lembram, Tiziu e Matilda são os filhotes abandonados que adotei no último dia de 2009. Os dois estão bem, e muito diferentes um do outro. 

Matilda é miudinha e atlética; Tiziu é grande e gordo. Muito gordo! Os dois são mais uma prova (como se nós ainda precisássemos de provas) de que volume tem mais a ver com DNA do que com educação: ambos têm a mesma idade, vivem na mesma casa e comem a mesma ração.

Felizmente para o Tiziu, o que se aplica a bípedes não vale para quadrúpedes, e todos que o conhecem acham o seu perfil de baiacu estufado um sinal de grande beleza:

-- Que coisa linda! – exclamam as visitas. -- Como é gordo e bonito!

Tiziu fica feliz e envaidecido. Tem razão em se sentir elogiado, assim como as visitas têm razão em louvá-lo: é mesmo uma beleza, com o típico pelo de veludo dos pretinhos. A sorte é que não deixa que os elogios lhe subam à cabeça, e mantem-se doce e humilde -- na medida, é claro, em que se pode aplicar este adjetivo, humilde, à sua espécie. Tem interesse por todos os tipos de pessoa, das maiores, como o Allecx, seu veterinário, com quase dois metros de altura, às menores, como o Fábio e a Nina, que já aprenderam a andar e acham a coisa mais divertida correr atrás dos gatos.

Matilda, ao contrário, contempla as pessoas a uma distância segura. Não é nem tímida nem arisca; apenas prefere conferir os recém-chegados antes de se aproximar para trocar idéias. Espécie de Kate Moss felina, não come nada além de ração seca. Detesta frango, odeia carne, tem nojo de peixe. Às vezes, por especial favor, belisca um pedacinho de biscoito Maria: apenas uma das suas esquisitices. Fala sozinha e resmunga quando senta, quando levanta, quando pula pro alto ou quando vem lá de cima, se faz sol, se não faz, se chego ou saio. Detesta barulho, e ataca o iPad se tenho a ousadia de deixar o volume ligado. Resultado: pela primeira vez na vida sou obrigada a usar headphones dentro de casa. 

Não me queixo. 

Manda quem pode, obedece quem tem juízo.


(O Globo, Segundo Caderno, 6.1.2011) 





5.1.11


Ração






Deixei as sandálias em casa...






Filas intermináveis!






Um lindo dia






Keaton






De malas prontas

Amigos, perdoem o sumiço, mas viajo logo mais e fiquei toda enrolada. Além disso (para variar!) o meu celular da Claro não está enviando foto-torpedos.  


Mando notícias logo!




2.1.11


Pipoca, a siamesinha discreta



Descobrimos que havia algo errado com a Pipoca em setembro: ela estava com uma espécie de verruga na gengiva. Era câncer. Chegou a ser operada duas vezes, mas a doença ganhou a batalha no dia 29; ela estava com quase 17 anos.

* * *

Pipoca nasceu na favela. Seus irmãos foram maltratados e mortos e a Antônia, faxineira que até hoje trabalha para a Laura, trouxe-a para cá para que eu achasse um bom dono para ela. Pipoca, porém, apesar de pequenina, tinha outras idéias, e achou que a casa lhe convinha perfeitamente.


O nome foi escolhido por óbvio: como todo filhote de siamês, era quase branca, com pontinhas marrons aqui e ali, tal qual uma pipoca. E, como todo filhote em geral, pulava sem parar.

* * *

Ao contrário das pessoas, todo bicho é boa gente; mas Pipoca (que também atendia por Pips ou Poca) era excepcional. Era absolutamente do bem, uma das criaturas mais amáveis e discretas que já conheci. Dava-se bem com todos, bípedes ou quadrúpedes -- mas, depois de adulta, gostava sobretudo de ficar na dela, observando o mundo pela janela, sempre séria e imersa em pensamentos. 


Nos dias frios, quando os gatos se deitam todos juntos para ficarem quentinhos, grudava invariavelmente no Lucas: acho que, com toda a diferença de tamanho -- ele é o maior gato da casa, ela era a menor -- reconheciam a semelhança que havia entre ambos. E, nos dias em que a Pipoca já estava no fim, o Lucas a tratou com particular carinho, deitando-se com frequência ao seu lado e ajudando-a a se limpar, coisa que para ela era cada vez mais difíicil.

* * *

Além do Lucas, Pipoca adorava Mamãe, seu bípede predileto. Assim que ouvia sua voz, saía de onde quer que estivesse, esperava que ela se sentasse e pulava no seu colo. Com um detalhe: Pipoca quase nunca sentava ou deitava no colo: ficava em pé, o que não era propriamente confortável para ninguém -- mas ela tinha o seu jeito de fazer as coisas, e pronto. 

* * *

P
ips era um gato com truque, e tinha orgulho disso. Não sei como aconteceu, mas um dia descobri que, se a gente dissesse "Pipoca, cai", ela caía. Em recompensa pelo show, exigia uma dose extra de carinho. "Cair", portanto, virou sinônimo para "quero carinho" -- e funcionava em mão dupla. Às vezes eu nem precisava dizer nada para que ela "caísse" na minha frente (mais ou menos como o Tiziu faz, quando percebe que trocamos de roupa para sair; acho que aprendeu com ela).

* * *

D
urante todos esses anos, a primeira coisa que eu via, ao acordar, era a carinha dela, vesga, vesga, colada no meu focinho. Não sei como adivinhava que eu ia abrir os olhos; mas o fato é que lá estava assim que os abria, sempre, conferindo, com a seriedade que lhe era peculiar, se eu estava mesmo acordando nos conformes. Às vezes eu sentia os seus bigodes me roçando o nariz e sabia, por isso, que já tinha acordado, embora ainda me achasse dormindo.


Tem sido difícil acordar sem certeza desde que ela foi embora.




1.1.11


Os anos dos tablets

(Clique para ver o tamanho original)


Algo me diz que, entre a retrospectiva do ano passado e as previsões para este 2011 que começa hoje, não há grandes diferenças. 2010 foi o ano dos tablets – mais especificamente, do iPad, que saiu na frente com um design matador e pôs fogo no mercado. 2011 será, igualmente, um ano de tablets. Dentro de uns dois meses teremos nova versão do iPad, mas como a indústria não dorme no ponto, a CES (Consumer Electronics Show), que vai ao ar em Las Vegas, a partir do próximo dia 5, promete um tablet por estande, ou quase isso. Não há fabricante de computador ou de smartphone que já não tenha seu projeto na rampa de lançamento.

* * *

Os tablets parecem brinquedos de luxo, ainda não mostraram todo o seu potencial e, por enquanto, circulam pelas mãos de relativamente poucos usuários, mas já é possível prever como vão mudar a forma como nos relacionamos com as máquinas, e como os provedores de conteúdo podem tirar partido dessa equação.

Os jornais e as revistas mais espertos começam a se adaptar ao novo formato – e é bom que o façam, porque os tablets têm tudo para revigorar o mercado. O “Daily”, jornal expressamente desenvolvido para o iPad, começa a circular em breve. Faz o maior sentido: gente que quase não comprava revistas passou a comprá-las aos montes depois de por as mãos num tablet, de tão “feitos um para o outro” que são.

A versão para a internet de um jornal é uma coisa; sua versão para os tablets deve ser outra, baseada no tamanho das telas e na forma como o consumidor interage com o aparelho. A internet acostumou mal os leitores, fazendo-os crer que todo tipo de conteúdo é gratuito; mas convém não esquecer que os tablets são descendentes diretos dos smartphones, sobretudo do iPhone, que criou o costume contrário: conteúdo é pago, ainda que aos centavos.

* * *

O que não falta a essa altura é boataria sobre o novo iPad da Apple que, dizem, deve ser anunciado em fevereiro ou março. Algumas coisas que se ouvem a respeito do novo modelo fazem sentido. É dado como certo, por exemplo, que a nova geração terá duas câmeras, como o iPhone 4, já que a falta de uma câmera (principalmente frontal, para usar com o Skype ou com ferramentas de MI), é um dos pontos fracos da primeira versão. Fala-se também numa saída USB padrão, sobretudo por causa do acordo entre fabricantes de smartphones para adotar um formato de carregador único. 

Especula-se ainda que a Apple lançará um modelo CDMA do iPad, o que parece algo antigo e remoto para nós e para os europeus, mas é uma ótima notícia para as operadoras americanas e orientais.

* * *

Entre os boatos mais insistentes a respeito do novo iPad corria um que dizia que a Apple lançaria um modelo com tela de 7”. Steve Jobs encarregou-se de desmentir pessoalmente a história: para ele, este tamanho é muito pequeno. Tenho para mim que o desmentido saiu mais para fazer pouco da concorrência do que para pôr as coisas nos seus devidos lugares; e acho que Mr. Jobs, com todo o respeito, pode estar errado nisso. O Samsung Galaxy Tab tem 7” de tela, é mais leve e portátil do que o iPad e conquistou uma legião de fãs que acham o tamanho da tela perfeitamente bom, entre eles a colunista que vos tecla.

* * *




As fotos dessa coluna foram feitas com um Nokia N8, o smartphone que tem a melhor câmera do momento, páreo não só para outros celulares, como para câmeras digitais compactas: lente Zeiss autofoco, flash Xenon, 12 Megapixels e o maior sensor entre os seus pares.

* * *

Ontem anoiteceu em um ano, hoje amanheceu em outro; o planeta continua em órbita, alheio a caprichos de calendário e, olhando bem, nada mudou. Ainda assim, desejo que 2011 fique gravado nas nossas memórias como um ano de alegrias.


(O Globo, Economia, 1.1.2011)





O futuro como ele era



Esses são alguns anúncios da AT&T da década de 90, que peguei no Mashable: é incrível como acertaram coisas. 




30.12.10




Uma das felicidades de 2010 foi saber que, numa tela nunca muito longe de mim, havia sempre, a qualquer hora do dia ou da noite, uma quantidade de amigos queridos. 


A vocês todos agradeço a alegria do convívio, e desejo um 2011 cheio de saúde, paz e prosperidade.


(Foto da série indiana, feita em Johdpur, em novembro de 2009)




Três Monstros Sagrados

Eu não tinha idéia de que o Concerto Duplo de Brahms havia sido gravado em video por David Oistrakh, Mstislav Rostropovitch e Kiril Kondrashin. Tive uma gravação com esses três mestres em long-play que, durante muitas e muitas luas, foi o meu disco mais precioso.


Achei maravilhoso observar a linguagem corporal de Oistrakh e de Rostropovitch: é como se estivessem tocando um dueto -- como, de fato, estão.


O primeiro movimento foi dividido nas duas partes que postei abaixo; para ouvir os outros dois, siga os links.






Segundo Movimento


Terceiro Movimento




Leblon






Retalhos de fim de ano


  
Nosso sítio de Friburgo, o “Pois é”, foi projetado por Mamãe, que é arquiteta, com o máximo de carinho e de atenção aos detalhes. Os anos 60 mal começavam e ecologia era só uma palavra no dicionário, mas junto com a casa foi construída uma composteira para a reciclagem do lixo, e Mamãe virou mundos e fundos atrás de uma novidade chamada aquecimento solar, que só se materializou uns tempos depois.

Esse cuidado se fez presente em tudo, da divisão do espaço às maçanetas das portas, do pé direito à posição e quantidade das tomadas. Só na sala, por exemplo, havia quatro, estrategicamente espaçadas para que nunca faltasse um ponto de energia para a enceradeira ou para uma eventual furadeira elétrica. Televisão não tínhamos nem nos fazia falta.   

O que Mamãe não poderia prever é que, no Natal de 2010, além de enceradeira e furadeira, a casa abrigaria notebooks, tablets e celulares, além do telefone sem fio e da televisão que, afinal, acabou achando um nicho na estante, acompanhada de um player de DVD e do decoder da parabólica. Resultado: hoje todas as tomadas têm benjamins, onde os vários aparelhos da família disputam lugar.

O mundo nunca deu tantas voltas tão rápido.

* * *

Certo tipo de ativismo político é um luxo a que só se pode dar quem tem um mínimo de organização. Não é o meu caso. No ano de 2008 decidi boicotar o IPTU. Estava indignada com o Cesar Maia e não queria ajudar a bancar sua campanha política. Até aí, tudo bem. Muita gente fez o mesmo – mas, sensatamente, não perdeu o carnê de vista e, quando o Cesar Maia foi enfim varrido da cena carioca, pôs a vida em dia.

Aqui em casa, porém, o carnê sumiu numa gaveta... e nunca mais pensei no assunto. A prefeitura, que podia ter tido a gentileza de me lembrar a dívida, não o fez – até a semana passada, quando me chegou às mãos um papel oficial com números horrendos, já em dívida ativa. Caía um temporal daqueles. Corri para a rua e peguei o primeiro taxi que passava. Dei o endereço recomendado no papel, no 58 da Rua Sete de Setembro. 
A repartição fechava às 16h; passava um pouco das 15h, mas com aquela chuva e aquele transito...

O motorista e eu engatamos um papo sobre as misérias do fim de ano.

Quando saímos do Rebouças eram 15h45.

-- Ai ai ai, não vai dar tempo...

-- A senhora me desculpe, mas o que é que a senhora vai fazer lá?

-- Tenho que pagar um caminhão de dinheiro na dívida ativa.

-- Ah, mas então a gente não precisa ir até lá. Vamos aqui na prefeitura mesmo! Eu tive que resolver uma parada dessas na semana passada, sei direitinho onde é.

Assim que descemos o viaduto o motorista cortou por uma rua que eu não conhecia, virou numa outra que eu sequer imaginava que existisse e, finalmente, parou atrás da prefeitura.

-- Está vendo aquela porta ali, onde tem um rapaz falando no telefone? Então, entra lá, é a terceira seção, à esquerda. Se a senhora correr dá tempo.

Eram 15h57. Nem abri o guarda-chuva, para não atrasar. Quando cheguei ao guichê, às 15h59, um funcionário estava em vias de fechar a área com uma correntinha.

-- Ô moço, quebra o meu galho... ainda falta um minuto!

-- Tá bom, mas é a última senha do dia.

O senhor que vinha atrás de mim, coitado, chegou às 16h01 e teve que voltar para casa.

* * *

Mamãe, que é a organização em pessoa, quase teve um piripaque quando soube dessa história.

-- Mas minha filha, você devia ter depositado em juízo!

-- Eu sei, eu sei. Não precisa dar bronca. Eu conheço a teoria toda, só me enrolo na prática.

-- Agora, pelo amor de Deus, não sai contando isso para as pessoas, porque nem pega bem. Como é que alguém me faz uma besteira dessas?!

Portanto, estamos combinados: essa história fica só entre nós.

* * *

Como nem o Eike Batista consegue pagar um IPTU atrasado com o tanto de juros, multas e moras que lhe cai em cima, parcelei a dívida em 19 prestações. Em qualquer lugar civilizado do mundo, o contribuinte pode deixar um pagamento desse tipo por conta do banco, em débito automático. Não, porém, no Rio de Janeiro, onde, além de ser punida pelo passado, a criatura em atraso sofre ao longo do futuro: todo santo mês, pelo próximo ano e meio, terei que entrar no site da prefeitura, buscar o link apropriado, imprimir uma guia e ir ao banco. Faz sentido isso, a dois dias do ano de 2011?!  

* * *

Pensei em fazer uma lista dos melhores filmes que vi no cinema em 2010, mas 2010 não foi, pelo menos do meu ponto de vista, um ano de filmes memoráveis. Destaco, então, “Toy Story 3”, um filmaço sob todos os aspectos. Aliás, considero a série “Toy Story” uma das melhores trilogias cinematográficas de todos os tempos, se não a melhor.

Em tempo: esclareço que não assisti ainda a “Tropa de elite 2”, grande campeão de público e crítica.

* * *

Uma das felicidades de 2010 foi o encontro marcado aos domingos, aqui mesmo no Globo, na Revista, com os cartuns sempre divertidos e certeiros do Bruno Drumond, o melhor observador da classe média carioca. O seu desenho é elegante e divertido, e ele não erra uma.

* * *

Que, apesar de todos os pesares, 2011 seja, para todos nós, um ano bom e generoso, carregado de felicidade.  

(O Globo, Segundo Caderno, 30.12.2010)





28.12.10


Nega






27.12.10


Dadá






Este cavalinho veio do Nordeste há 30 anos






A dupla dinâmica






Traindo a Famiglia Gatto com o Xarope...






26.12.10


A bisa da Nina






25.12.10


A nova flor da Mamãe






Galaxy Tab: aplicativos


A rivalidade entre os fãs do iPad da Apple e os do Samsung Galaxy Tab, como a que havia entre usuários de Macs e PCs, periga virar mais um clássico das torcidas tecnológicas, com os dois lados louvando os seus aparelhos e desfazendo dos demais. Agora mesmo um dos argumentos mais utilizados pela torcida do iPad contra o Galaxy Tab é uma suposta falta de aplicativos – isso porque a Appstore tem mais de 300 mil deles à disposição do freguês, contra “apenas” 100 mil oferecidos pelo Android Market...

Ora, esses são números perfeitamente ridículos. É óbvio que ninguém jamais terá tempo sequer para ler os nomes desses programas todos, quem dirá usá-los. A maioria é lixo; a maioria da minoria que não é lixo tem utilidade limitada, como, digamos, a tabela de horários do transporte coletivo em Seul.

Um usuário dos mais empolgados pode ter, quem sabe, entre 60 e 100 aplicativos no smartphone ou no tablet -- mas quantos usará de fato? Dez? Uma dúzia? O importante, para variar, não é a quantidade, mas a qualidade – e, entre os cem mil e tantos aplicativos Android que podem ser usados no Galaxy há aplicativo bom para dar e vender. Conforme prometi semana passada, aqui está a lista dos meus favoritos. Vários são os mesmos do iPad:

Mídias sociais: Tanto o Twitter quanto o Facebook têm aplicativos próprios para o Android, e ambos funcionam muito bem. Uma alternativa que tem muitos apreciadores é o Tweetdeck.

Leitura: Ler livros é atividade mais confortável no Galaxy Tab do que no iPad. A Samsung sabe disso e dotou o aparelho de um link direto para a Livraria Cultura, um leitor de ebooks e uma excelente seleção de links que apontam para coleções de livros em domínio público e para os projetos Brasiliana e Gutemberg. Apesar disso, vale a pena baixar o Kindle, da Amazon, que na versão Android vem incrementado com uma banca de jornais e revistas.

Notícias: Gosto muito do Pulse, agregador de notícias e de posts de amigos no Facebook; para saber o que está acontecendo e para ver a previsão do tempo, o Google News bate um bolão. O Reader’s Hub, que já vem instalado no parelho, reúne o agregador da PressDisplay, o leitor de ebooks Kobo e a banca Zinio, que fornece revistas do mundo todo.

Trabalho: Como o GalaxyTab é útil inda brincando, há diversas opções sérias no seu cardápio de programas. Não vivo sem o Documents to Go, que permite a criação, visualização e edição de documentos do Office, e merece os US$ 15 pedidos para a versão completa. Já o Evernote é, no Galaxy, o mesmo prodígio que é no iPad e no PC: uma aplicação de nuvem, na qual podemos juntar e indexar notas de texto, voz e imagem, e que deixa o material ao alcance da mão a partir de qualquer aparelho, de qualquer plataforma, ao qual tenhamos acesso.

Utilitários: Nessa categoria, meu favorito disparado é o Advanced Task Killer. Explico: o Android é um sistema multitarefa, e muitas vezes a gente esquece programas abertos. Eles consomem energia e tornam o desempenho da máquina mais lento. Entra em cena o nosso utilitário, apresenta uma lista do que está rodando, permite que se escolha o que se quer fechar, e voilá!, felicidade completa. Também gosto do Worldmate, que uso desde os tempos do Palm, e que é uma mão na roda em viagens. Por falar em Palm, a notícia para quem sente saudades de escrever à mão no seu tablet é que há uma versão do Grafitti para Android. Ela funciona às mil maravilhas. Fiquei espantada ao descobrir que, assim como andar de bicicleta, usar Grafitti a gente não esquece nunca.

Browsers: O browser do Galaxy Tab é ótimo, mas há dois concorrentes fora de série à disposição do usuário: o Dolphin, em que se pode abrir múltiplos tabs, e o Skyfire, rápido e cheio de bossas interessantes. Experimentem!

Jogos: Sim, esta é uma indiscutível vantagem do Galaxy sobre o iPad, cuja Appstore sonega joguinhos aos usuários brasileiros. O Tab está cheio deles, muitos gratuitos – é só escolher. Estou num momento Angry Birds, mas às vezes jogo Jewels para distrair. Também sou vítima do viciante Ant Smasher, em que a graça é esmagar formigas, evitando as picadas letais das vespas. De todos os aplicativos que baixei para o Galaxy, por sinal, este foi o único que permaneceu com as proporções de um celular, deixando margens à sua volta – mas isso não atrapalha em nada a brincadeira.

Isso é só a ponta do iceberg. Há mundos nos nossos tablets – vamos a eles!

(O Globo, Economia, 25.12.2010) 





24.12.10


Feliz Natal!

Enviado por Samsung tablet




23.12.10


Livros para o Natal II




  
No dia 6 de junho de 1944, na primeira leva de assalto das tropas aliadas à praia de Omaha, na Normandia – o famoso “Dia D”, da Segunda Guerra Mundial – estava o fotógrafo Robert Capa, carregando o seu armamento habitual: duas câmeras Contax, vários rolos de filme, muita valentia e talento de sobra. Apesar das condições desfavoráveis (para dizer pouco), ele conseguiu fazer mais de cem fotos da histórica invasão.

O material foi enviado para Londres onde, no laboratório da revista Life, um assistente se descuidou, e destruiu a emulsão dos filmes. Salvaram-se apenas oito fotos borradas, publicadas pela revista com uma legenda que explicava que estavam “ligeiramente fora de foco” porque as mãos do fotógrafo tremiam diante da intensidade do combate.

Capa, veterano de outras batalhas, nunca engoliu a desfeita, e quando publicou suas memórias da Segunda Guerra, deu-lhes o título “Ligeiramente fora de foco”. É este livro precioso que acaba de chegar às livrarias, bem a tempo de ser um dos melhores presentes da temporada. A tradução é de José Rubens Siqueira, e a edição é da Cosacnaify (o sonho secreto de todo livro).

Robert Capa, que nasceu em Budapeste como Endré Friedmann, inventou o alter ego para poder se vender melhor em Paris: como agente do “famoso Capa”, sentia-se mais à vontade para elogiar o próprio trabalho. Sua primeira ambição, contudo, não era ser fotógrafo, e sim escritor. “Ligeiramente fora de foco” prova que não lhe faltava base para tanto: o livro é ao mesmo tempo terno e espirituoso, alternando os horrores do campo de batalha com as aventuras galantes do moço que não via motivo para acordar de manhã se não houvesse uma boa guerra nas vizinhanças.

* * *

“Contos húngaros”, um pequeno volume da Hedra, dá uma pista de onde vem o estilo agridoce de Robert Capa: nele estão reunidos dez contos inéditos de quatro dos principais autores húngaros, nomes que Capa com toda a certeza conhecia: Gyula Krúdy, Deszö Kosztolányi, Géza Csáth e Frigyes Karinthy. O livrinho de bolso não faz vista, é miúdo e barato, mas o que lhe falta em imponência sobra em conteúdo: ele tem até uma introdução do expert Nelson Ascher, que apresenta os autores e o contexto em que viveram. 

A Hungria é um país pequeno, mas dado a produzir escritores de primeira grandeza; infelizmente, suas obras poucas vezes chegam a transpor as barreiras do idioma. Angustiado com isso, meu Pai passou parte da vida traduzindo para o português o trabalho dos seus conterrâneos. Essa nova antologia (dedicada, aliás, à sua memória), existe graças a um outro Paulo, o Paulo Schiller -- que, para nossa sorte, não só sabe traduzir do húngaro, como, ainda por cima, o faz muito bem.

* * *

Outra sugestão de livro de contos: o esplêndido “Em outros quartos, outras surpresas”, do paquistanês Daniyal Mueenuddin (Companhia das Letras, tradução de Sonia Moreira). As oito histórias do volume são entrelaçadas em torno do patriarca K.K. Harouni, um senhor feudal do século XX. Elas são protagonizadas ora por sua família, ora por seus empregados, amigos ou agregados, mas, com tudo o que têm de distante e exótico, formam um mosaico estranhamente familiar a um país onde o coronelismo continua dando as cartas.

Não há personagens “bonzinhos” no mundo de Mueenuddin. Bem ou mal, todos lutam para tirar de uma existência dura ou tediosa o melhor que podem, o que abre para o leitor o vasto leque das fraquezas humanas. Como é natural, todos querem subir na vida, e mesmo o poderoso K.K. Harouni tem sonhos de grandeza; o fracasso e a desilusão, porém, rondam com igual tenacidade ricos e pobres, homens e mulheres. A felicidade faz algumas pontas, mas seu papel é sempre breve e passageiro. Mueenuddin tem uma escrita elegante e sutil. “Em outros quartos, outras surpresas” está longe de ser um livro alegre, mas a sensação predominante deixada pela sua leitura é a de uma imensa, ainda que amarga, delicadeza.

* * *

E por falar em contos, especialmente em contos entrelaçados – não dá para deixar “Entre assassinatos”, de Aravind Adiga (Nova Fronteira, tradução de Diego Alfaro), de fora da lista de bons livros para o Natal. Por algum motivo, um artigo caiu do original em inglês, “Between the assassinations” – mas o detalhe é importante, porque os assassinatos aos quais o título se refere são específicos: os de Indira Gandhi, em 1984, e o de seu filho Rajiv, em 1991. Trata-se, pois, de uma passagem de tempo bem marcada, que termina exatamente antes da abertura econômica do país e da sua conseqüente “globalização”.

Aravind Adiga é o autor de “O tigre branco”, que foi, para mim e para muita gente, o melhor livro do ano passado. A pergunta do fã-clube é óbvia: o novo livro é melhor do que o anterior? A resposta é complicada. Para começo de conversa, é impossível compará-los, de diferentes que são. E o anterior é, na verdade, posterior. Os contos foram escritos antes do romance, e imagino até que faria mais sentido ler os dois nessa ordem.

“Entre assassinatos” é uma série de histórias sobre os habitantes de uma cidade fictícia chamada Kittur. Eles são pessoas de todas as religiões, castas e faixas sociais. O estilo contundente de “O tigre branco” e o seu senso de humor inesperado estão presentes também neste livro, tecido com o esmero de uma grande e bela tapeçaria. Aravind Adiga não tem qualquer condescendência para com as enormes desigualdades sociais de seu país, e frequentemente escreve com indignação -- mas não perde a ternura jamais.


(O Globo, Segundo Caderno, 23.12.2010) 





21.12.10


Enquanto isso...






19.12.10


Perguntinha básica II

Qual foi o melhor DVD que vocês compraram ou alugaram em 2010?




Perguntinha básica I

Qual foi o melhor filme que vocês viram em 2010?




A vista da Mamãe






18.12.10


Samsung Galaxy Tab (o outro)



Depois de algumas semanas de paixão e convivência contínua com o iPad, mergulhei fundo nos braços metafóricos do Samsung Galaxy Tab. Estaria neste momento me sentindo a mais volúvel das mulheres se, durante este tempo, não tivesse chegado à conclusão de que ambos são animais distintos, mais complementares do que concorrentes. Fosse o mundo um lugar justo e generoso, todo bípede amante de gadgets teria direito a um iPad para usar em casa e a um Galaxy para sair na rua; mas vamos começar pelo começo, que é sempre um bom ponto de partida.

Talvez a principal diferença “ideológica” entre os dois seja, exatamente, a portabilidade. Ainda que pequeno e bastante leve na comparação com os notebooks, o iPad não cabe em qualquer bolsa e, definitivamente, não entra em bolso algum; ele pesa o suficiente, e toma suficiente espaço, para que o usuário pense duas vezes antes de levá-lo consigo a todos os cantos.

Com 350 gramas a menos e praticamente metade do tamanho, o Galaxy é, ao contrário, a mobilidade em pessoa. O preço que paga por isso é ter uma tela menor e visualmente mais poluída, onde os ícones disputam lugar, ao contrário da do iPad, onde nadam folgados. Em termos de definição, as duas se equivalem, sendo que a do Galaxy, por ser menor, chega a parecer mais nítida. 

Atrapalha, a questão do tamanho? A mim, sinceramente, não, mas esta é uma das perguntas mais sérias que o usuário deve se fazer antes de decidir por um ou por outro. O iPad é genial para ler revistas e jornais (livros, curiosamente, se lêem melhor no Galaxy, cujo formato está próximo a um volume de bolso), assistir vídeos, desenhar, brincar com fotos e, eventualmente, trabalhar, porque ninguém é de ferro. Comparar suas habilidades às do Galaxy, porém, chega a ser covardia.

Primeira vantagem: como todo Android, o Galaxy se conecta ao computador como um drive externo. Você pode ver os arquivos, apagar o que quiser, acrescentar o que bem entender. Nada de iTunes! Esta é uma liberdade que não tem preço. Segunda vantagem: o Galaxy não precisa de um simcard de dados só para ele. Trabalha com simcards comuns, porque é também telefone, o que dá ao seu feliz proprietário a possibilidade de mudar o cartão de aparelho caso seja necessário. Terceira vantagem: o Galaxy é um bom aparelho de TV, que pega redes digitais e (surpresa!) analógicas – e que, ainda por cima, permite gravar os programas. Quarta vantagem: o Galaxy tem duas câmeras, uma traseira de 3 megapixels e uma frontal para  videochamadas (algumas fotos feitas com ele AQUI). Quinta vantagem: o Galaxy tem, como o seu irmão menor, o smartphone Galaxy S, um sistema de escrita chamado swype, em que basta deslizar os dedos entre as teclas que formam uma palavra para completá-la – e o pior é que o troço funciona. 

Não bastasse tudo isso, o Galaxy Tab sai da caixa – descaradamente parecida com a do iPad – cheio de companhia. Vem com uma capinha muito caprichada que imita couro, com um set de headphones estéreo com fio e um mono Bluetooth para fazer ligações. O iPad, como é sabido, não vem nem com headphones.

* * *

Parenteses para pôr alguns pingos nos ii: o Galaxy tem câmera, é fato, e funciona também como telefone. Mas – grande mas – faltam-lhe as características ergonômicas para ser bem aproveitado como uma e como outro. A câmera é razoável, embora infiel às cores, e seu uso é dificultado pela capa (falo disso daqui a pouco); mas o xis da questão é que, de todas as coisas que hoje tiram fotos por aí, o tablet é a menos prática de usar. O mesmo não digo em relação à câmera frontal, sempre útil. O headphone funciona bem, mas celular por celular, qualquer xingling é mais confortável. Ainda assim, acho ótimo que ele tenha essas serventias.

* * *

Enfim: o Samsung Galaxy Tab é um campeão. Tem muitos prós e, ao menos que eu tenha descoberto até agora, pouquíssimos contras. A capa bonitinha é, paradoxalmente, um deles. A leitura ocidental se faz da esquerda para a direita, e ela se abre à oriental, da direita para a esquerda. Muito chato – sobretudo porque, na hora de usar a câmera, em vez de ficar pendurada sozinha para baixo, ela tem que ser segurada pelo usuário para cima. Mais séria, porém, é a questão do cabo. Indo nas águas da Apple e contrariando o bom senso, a Samsung dotou o Galaxy de um cabo de conexão proprietário, muito parecido, aliás, com os do iPhone, iPad e família. O que é que isso significa? Significa que se o usuário se descuidar e perder este bendito cabo, estará frito. A bateria segura bem quase um dia de uso, mas depois... Não sei qual é a disponibilidade de cabos Samsung nas autorizadas, mas hoje este tipo de “reserva de mercado” não tem nada a ver.

* * *

A pergunta que não quer calar – iPad ou Galaxy? – é difícil de responder. O iPad oferece tamanho, fundamental para muita gente, e o inimitável sex-appeal da Apple; o Galaxy, no entanto, é muito mais completo e portátil. Os dois são igualmente bem acabados, chiques, apaixonantes. Ao contrário do que dizem as más línguas, não faltam aplicativos para o Galaxy; mas eu falo disso no próximo sábado. Até lá!


(O Globo, Economia, 18.12.2010) 
   



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